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  • No Rio esta sexta-feira, Adib Jatene criticou os médicos que prescrevem procedimentos mais caros e invasivos sem necessidade
  • Cardiologista foi homenageado no Hotel Copacabana Palace

Flávia Milhorance

Adib Jatene: ex-ministro e cardiologista fez palestra no Rio

RIO. O ex-ministro da Saúde Adib Jatene chegou ontem antes das 8h no Hotel Copacabana Palace pronto para falar de política e saúde pública. Aos 84 anos, o cardiologista preside uma comissão de especialistas do governo federal sobre o ensino de medicina, e logo em seguida ao encontro, voltaria a São Paulo, onde vive, para reunião com o secretário estadual de Saúde, David Uip. No evento “Café no Copa — Grandes Temas em Saúde”, que reuniu um grupo de médicos de diferentes especialidades, Jatene criticou duramente os profissionais que prescrevem procedimentos mais caros e invasivos sem necessidade.

Além de ter sido duas vezes ministro (nos governos Fernando Henrique e Fernando Collor) e secretário de São Paulo, o médico assinou cerca de 800 artigos científicos, criou institutos de pesquisa e desenvolveu técnicas cirúrgicas para o coração, uma delas levando o nome de “cirurgia de Jatene”. Há poucos meses, inclusive, trabalhava no desenvolvimento de um coração artificial brasileiro. Apoiando-se numa bengala, mas com disposição para falar por quase duas horas, ele conta que até seis meses atrás ainda operava:

— Fisicamente não tenho mais condições, mas felizmente a cabeça ainda está boa, e enquanto estiver eu vou tocando.

Quando integrava os ministérios, não poupava o próprio governo de críticas. Não seria diferente, portanto, sua visão cética sobre a atual prática médica:

— O objetivo da medicina está conturbado. No passado, se estudava medicina porque se queria servir ao mundo. Hoje com a tecnologia incorporada à profissão, esquece-se que o doente é uma pessoa. Qualquer que seja a posição social, o doente é um ser aflito, com medo. Se quem o trata não se apresenta como alguém que merece crédito, o paciente não acredita nele. Pode ser o mais preparado do mundo, ele simplesmente não acredita.

Para Jatene, os médicos jovens deveriam se informar mais sobre a vida pessoal do paciente para tratá-lo, pois “o problema de saúde está vinculado ao indivíduo”. Critica o uso tecnológico que não for para beneficiá-lo, ou seja, a indicação de procedimentos mais invasivos e mais caros desnecessariamente:

— Se pensarmos sempre no doente, estamos trabalhando corretamente. Ao contrário, não é ético.

Lembra, por exemplo, quando foi convidado para trabalhar num hospital de Uberaba (MG), onda dobraria o seu salário. Na época, antes deste emprego, era voluntário do Hospital das Clínicas da USP e chegava a dar 16 plantões noturnos para se sustentar. Apesar da proposta irrecusável, não ficou nem cinco meses no cargo:

— Me dei conta de que eles faziam uma medicina comercial. Todos vocês sabem que tipo de medicina é esta. Não estudei para fazer isto — esbravejou.

Ele diz que sua trajetória tem tudo a ver com a de sua família. Seu pai veio do Líbano aos 16 anos, no início do século passado. Foi para o Acre, onde Adib nasceu. Na época, o estado era considerado um “Eldorado” pela abundância de borracha e castanha-do-pará.

— Isto é coisa de gente que acredita, de pioneiro, que vai enfrentar o desconhecido e não se abate diante das dificuldades — afirmou.

Seus três filhos, depois, seguiram a mesma profissão. Entre eles, o também cardiologista Fábio apresentou no encontro um lado menos conhecido do pai. Contou da sua relação próxima com o esporte, que chegou a remar no Rio Tietê e “era o único centroavante que jogava de óculos”, brincou. O pai também testava projetos de bioengenharia na sua fazenda, onde ainda plantou seringueiras e criou gado.

Gestor que colocou em prática a extinta CPMF, além de programas de tabagismo e de saúde da família, Jatene não deixou de comentar polêmicas recentes, como a vinda de médicos estrangeiros para áreas carentes do país.

— As equipes de saúde da família isoladas não funcionam bem. Elas precisam ter uma equipe de especialistas, que por sua vez, precisa de leitos para encaminhar os pacientes. Como não existe a estrutura que dê cobertura ao médico, ele não vai. É este o problema. Mas o erro que aconteceu nesta história toda foi a reação das nossas entidades. Reagiram de uma forma muito maior do que seria desejável e nos caracterizou como corporativistas — comentou.

Estreado com a presença de Fernando Henrique Cardoso, o encontro foi o segundo da série “Café no Copa”, promovido pelos hospitais Samaritano e Pró-Cardíaco, com curadoria do cardiologista Cláudio Domênico.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/ex-ministro-da-saude-condena-medicina-comercial-10185346#ixzz2gV06NcsS
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Na próxima quarta feira (21) poderá ser votada a Emenda 29 (PLP 306/08), que regulamenta recursos mínimos destinados anualmente em saúde nos estados e municípios.


“Nós achamos importante para que tenhamos mais recursos para a saúde, que nós possamos taxar os lucros e dividendos das empresas que mandam recursos para o exterior, além de taxar grandes fortunas. Os trabalhadores pagam o imposto de renda, enquanto outras pessoas que ganham muito terminam pagando relativamente menos do que paga o trabalhador”, justifica o deputado Luiz Couto (PT/PB).

Para o deputado Luiz Couto o problema da pouca verba para a saúde nos municípios é também culpa da má gestão pública. “Temos gestores públicos que acham que o público é privado, e podem fazer o que quiser”, diz.

O grande argumento da oposição contra esta emenda é a obrigação do retorno de um imposto semelhante a antiga CPMF, mas Luiz Couto explica: “O governo não produz dinheiro. Ele arrecada e distribui. Dai a importância de um percentual destinado ao governo estadual, outro para o governo municipal e outro para o governo federal”.

A Emenda 29 é uma regra transitória, no entanto continua em vigor por falta de uma lei complementar que regulamente a emenda.

(Maurício Nogueira e Gustavo Serrate – Portal do PT)

Saiu na Carta Capital desta semana, pág. 32, imperdível artigo de Adib Jatene, que foi Ministro da Saúde de Collor e Fernando Henrique (e, portanto, conheceu o Cerra de perto).

“Desigualdade na escassez – além de faltarem médicos eles estão mal distribuídos pelo Brasil.”

Jatene mostra, primeiro, que as capitais brasileiras estão bem atendidas de médicos.

O problema é a distribuição dos médicos e dos hospitais entre as áreas pobres e ricas das capitais.

O caso de São Paulo (também conhecido como Chuíça (*) ) é uma decepção.

Nos 25 distritos de áreas mais ricas – conta Jatene -, onde moravam, em 1999, 1,8 milhão de pessoas, havia 13 leitos por mil habitantes.

Nas áreas pobres de 39 distritos – onde alaga por obra de Deus (segundo Cerra) e da chuva (segundo Kassab) -, onde moravam 4 milhões de pessoas, NÃO EXISTIA NENHUM LEITO !!! (ênfase minha – PHA).

E o Nelson Johnbim dizia (será que ainda diz ?) que o Cerra foi o melhor Ministro da Saúde da História do Brasil !

Jatene trata também do programa que lançou, o “Saúde da Família” (esse, o Cerra não disse que era de autoria dele), que já recrutou mais de 250 mil agentes e cobre mais de 85 milhões de habitantes.

Uma beleza !

Mas, o programa precisa ser duplicado !

Aí, Jatene tem uma ideia (sempre) brilhante !

Que os médicos estagiassem por um ou dois anos no Saúde da Família, no estado em que se graduaram.

Seria um pré-requisito para a residência médica.

Assim, se criarão 30 mil equipes do Saúde da Família e o déficit será zerado.

(Cuidado, Dr Jatene ! Daqui a pouco o Cerra vai lhe tomar a ideia, como tentou tomar o programa anti-Aids.)

No Estadão de hoje, na pág. A6, o ministro Alexandre Padilha, da Saúde, informa: “Precisamos de uma regra que garanta investimentos crescentes” na saúde.

“ … para que haja uma regra estável, permanente, para os governos dos estados, municípios e a União.”

Omo se sabe, quem tirou o remédio da boca das crianças e acabou com a CPMF foi um nobre conjunto de grandes brasileiros.

À frente, o Farol de Alexandria, que jamais se conformou com o sucesso do Nunca Dantes, e jogava e joga no quanto pior, melhor.

Na centro do ataque, Arthur Virgilio Cardoso, líder de FHC no Senado, que o povo do Amazonas resolveu premiar.

O povo do Ceará também premiou Tasso tenho jatinho porque posso pela atuação brilhante na CPMF.

Do lado da “sociedade civil”, Paulo Skaf, então presidente  da FIE P (**) foi o líder máximo.

Como se sabe, uma das virtudes da CPMF é combater o “caixa dois”, que, em São Paulo, é conhecido pelo codinome de “bahani”.

Esses foram os barões de Plutarco que tiraram o remédio da boca das crianças.

O Ministro Padilha saiu à frente da discussão sobre a volta de uma CPMF.

Parece, porém, que os governadores, como Cid Gomes, do Ceará, por exemplo, é que vão, antes da Dilma, defender uma CPMF.

Até onde este ansioso blogueiro – clique aqui para ler o que o Oráculo de Delfos acha dessa ansiedade, no post “Dilma vai fazer a Ley de Medios” – se informou, a idéia é  re-criar uma CPMF e aliviar a carga fiscal de outro lado.

Tira imposto de um lado e põe remédio na boca das crianças.

E carga fiscal não muda.

Assim, São Paulo, essa grande construção tucana, poderá construir leitos na Soweto.

Clique aqui para ler sobre a “sowetização de São Paulo”, que se agrava quando chove, como hoje.

(Está tudo alagado.)

(De tucano, só o bico consegue ficar acima d’água.)

Paulo Henrique Amorim

(*) Chuíça é o que o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.

(**) Este Conversa Afiada chama a FIESP de FIE P. Sem o “s”. É uma tentativa de identificar o verdadeiro propósito da campanha da FIE P contra a CPMF. Apagar o “S” de “$”.

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