arquivo

SAÚDE MENTAL

Crack: sujeitos invisíveis e abandonados pela cidadania

Crack: sujeitos invisíveis e abandonados pela cidadania

Paulo Amarante *

DROGA DE SOCIEDADE: SOBRE O RELATÓRIO DA PESQUISA SOBRE O USO DE CRACK NO BRASIL

A pesquisa, realizada em 26 capitais e no Distrito Federal, além de algumas regiões metropolitanas e alguns municípios de médio e pequeno porte, para alguns aspectos epidemiológicos, revela algumas surpresas e algumas constatações.

O objetivo de um dos métodos adotados, o Network Scale-up Method, visou identificar o uso da substância em populações consideradas de difícil acesso. O próprio relatório utiliza o termo populações “invisíveis” e, neste sentido, aponta para uma questão intrigante: descobrimos que são pessoas pobres ou muito pobres, os desfiliados que nos falou Robert Castel(apenas 4,2% tem alguma forma de trabalho regular com carteira assinada, com faixa de renda muito baixa); são pessoas que se autodeclaram como sendo “não-brancas” (o questionário utiliza esta categoria escolhida por 80% das pessoas para definirem sua cor/raça, indicando um nítido recorte étnico nas cenas de uso), são habitantes das capitais do nordeste (quase 50 % dos usuários são nordestinos, convivem com grande pobreza, com prostituição infantil e adulta, como forma de subsistência e não apenas como forma de obter recursos para a compra da droga); 80 % são homens, 80% são solteiros, 80% têm em média 30 anos, 80% têm apenas o ensino fundamental…

Uma das surpresas é que o consumo na região sudeste não é o maior do país, embora a mídia, principalmente a televisiva, fique exibindo cotidianamente as cenas de uso denominadas de “cracolândias”, como reality shows (e não estou fazendo uso de analogia ou metáfora), incutindo no imaginário social a ideia de que o crack dominou a sociedade e que não há mais nada a fazer senão declarar (mais uma vez) a guerra total: guerra às drogas! É na esteira desta visão equivocada e simplista que nasceu o PL 7.663/10 do Deputado Osmar Terra que ao invés de contribuir para solucionar vai contribuir para agravar a questão das drogas no país.

Adorno e Horkheimer utilizaram a expressão “manipulação retroativa” para referirem-se ao mecanismo no qual as pessoas escolhem o que desejam quando na verdade recebem o que pensam que querem. Com as campanhas moralistas antidrogas isto ocorre regularmente com a mídia e o poder público que constroem os problemas a seu modo e as soluções de igual forma.A expectativa era a de que o uso predominante e assustador de crack fosse constatado pela pesquisa. Mas não: o usuário de crack é também consumidor de outras drogas, principalmente o tabaco (cerca de 90%) e o álcool (cerca de 80%), mas também a maconha, a cocaína, os solventes, a cola de sapateiro, benzodiazepínicos, anfetaminas… Enfim, são poli usuários. O que isto significa: que é um equívoco centrar as políticas em uma só droga, pois o problema não está na droga e sim nas pessoas e em suas condições objetivas e subjetivas de existência.

Enfim, os dados indicam que o uso predominante do crack e demais drogas é entre segmentos sociais menos favorecidos, pessoas com baixa ou nenhuma capacidade de inserção social.  Neste sentido é curiosa a expressão “invisíveis”: são dezenas, centenas, milhares de pessoas que circulam pelas regiões mais pobres das cidades, desassistidas pelas políticas públicas, esquecidas pelo Estado, vítimas do esquecimento e que, embora possam fazer malabarismos com bolas de tênis ou limões nos sinais de trânsito, não são vistas pelos motoristas dos furgões com insulfilmes ou pelos passantes apressados. São invisíveis! Portanto, chama a atenção que 80% usem o crack abertamente, em locais públicos, colocando em xeque nossa capacidade de ver, ou nossa coerência em ver: quantos outros crimes, infrações, contravenções, não são igualmente visíveis? Os pontos de jogo do bicho em cada esquina e bar, as abordagens da polícia em busca de propinas, e tantas outras cenas de uso da violência cotidiana, por que são invisíveis? O que lhes dá visibilidade? Poderiam ser as cracolândias um apelo desesperado de visibilidade social destes sujeitos abandonados pela cidadania?

Uma outra questão tem enorme relevância, pois faz cair por terra um conjunto de mitos que os políticos, religiosos, profissionais da psiquiatria tradicionalconservadores e ligados ao mercado assistencial insistiam em afirmar. O principal mito é o de que ao primeiro contato com o crack a pessoa se torna dependente da droga e perde a capacidade de discernir, de julgar e de optar ou não pelo tratamento. Daí adviria a necessidade absoluta, afirmam eles, de realizar o sequestro da internação compulsória.

Ao contrário: 80% das pessoas declinaram interesse em se tratar! E como resposta, o que o poder público ofereceu em troca? Apenas 6,3% dos usuários tiveram acesso aos Centros de Atenção Psicossocial especializados no tratamento de dependentes químicos, chamados de CAPS ad, serviços fundamentados na estratégia da Redução de Danos e que têm apresentado muitos bons resultados. Recentemente fizemos uma ‘chamada de artigos’ para a Revista Saúde em Debate e pudemos constatar tal premissa pela grande quantidade e qualidade dos artigos e resultados apresentados.

De uma forma geral o que os dados nos levam a refletir sobre a extrema pobreza, violência e desigualdade existentes na estrutura social e que as características do uso do crack nos fazem perceber, por mais que os relatórios econômicos indiquem prosperidade para as classes populares. Ao invés de investir em repressão, como querem o PL 7.663/10 (que no senado recebeu o número 37/2013) e muitas outras propostas do governo, ou de investir em métodos autoritários e ineficazes, que atendem mais aos interesses dos empresários do setor (internação compulsória, comunidades terapêuticas e clínicas de reabilitação de dependentes químicos), é hora de pensar em estabelecer uma rede efetiva de assistência tais como CAPS, CAPS ad, Consultórios na Rua, Saúde da Família, CRAS e CREAS (Centros de Referência de Assistência Social e Centros Especializados), em estratégias de redução de danos e um investimento socioeconômico real de melhoria da qualidade de vida, reforçando os abandonados Pontos de Cultura, os Centros de Convivência, as escolas, as áreas e projetos de lazer e esporte, os meios de transporte público (a gota d´água das manifestações de junho), os espaços e projetos públicos de valorização das comunidades e das pessoas.

Poderia encerrar dizendo que se não caminharmos no sentido desta opção mais estrutural estaremos apenas enxugando gelo. Mas seria ingênuo fazer tal afirmação: a questão não é decorrente da escolha de estratégias equivocadas e sim aos interesses que estão por trás delas.

Enquanto isso precisamos continuar lutando contra o PL 7.663/10 (37/13 no Senado), contra as internações compulsórias e a mercantilização da questão da dependência química pelas ditas “comunidades terapêuticas” e clínicas de tratamento em regime de isolamento involuntário.

* – Editor Científico da Revista Saúde em Debate e Membro da Diretoria Nacional do Cebes

 

Camila Maciel

Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Em dois dias, o número de pessoas que procuraram o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), no centro da capital paulista, foi maior que dobro do que a unidade costumava atender em uma semana. Foram atendidas 80 pessoas na segunda-feira (21) e na terça-feira (22), quando a média é 30 atendimentos semanais. O crescimento da demanda, decorrente do início do projeto do governo estadual e da Justiça para agilizar internações de dependentes químicos, fez com que o governador Geraldo Alckmin anunciasse hoje (23) o aumento dos leitos destinados a esse tipo de tratamento, de 691 para 757.

“Vamos aumentar os leitos de retaguarda na rede estadual e também na rede contratada. Serão 44 já agora e mais 22 na semana que vem”, anunciou o governador, após visitar o Cratod na manhã de hoje (23). Ele negou que estejam faltando vagas para internação. “Ninguém vai ser deixado. Todos estão sendo cuidados, como houve uma corrida, uma demanda grande para ca, as pessoas estão sendo orientadas que os casos ambulatoriais são nos Caps [Centro de Apoio Psicossocial]. Não há hipótese de alguém com autorização judicial, não ser internado”, garantiu.

É o que espera Elizabeth de Moraes, mãe de Thiago, 23 anos, que compareceu hoje ao Cratod. Por meio de atendimento no Caps, ela conseguiu uma vaga em uma comunidade terapêutica para o filho, mas, por se tratar de internação involuntária, o fato precisa ser comunicado ao Ministério Público.”Tenho todos os papéis, o pedido do defensor, só preciso disso agora. Se demorar muito, tenho medo do meu filho fugir, porque ele está lá no Caps [localizado na mesma rua do Cratod], mas foi uma luta conseguir trazer ele” , explicou.

De acordo com o secretário Estadual de Saúde, Giovanni Guido Cerri, há grande rotatividade nos leitos disponíveis para tratamento de usuários de drogas. “Hoje, o leito está ocupado, amanhã está vago, mas, normalmente, dentro dessa dinâmica uns 20% dos leitos estão rotativos para internação, mas em razão dessa procura maior nós ampliamos. Achamos que esses 66 leitos [a mais] atendem essa demanda emergencial aqui, porque internação não é solução, é realmente para casos de extrema necessidade”, esclareceu.

No anexo do Tribunal de Justiça de São Paulo, onde fica a sede do Cratod, quatro decisões judiciais foram expedidas desde segunda-feira (21), mas nenhuma determinou internação compulsória, informou o juiz Iasin Ahmed. Um dos casos foi movido por um defensor público contra o próprio Estado para garantir vaga de internação para um usuário.”A pessoa está internada, precisa de uma internação de longa permanência, a médica confirmou a necessidade e não deram a vaga. O Estado tem 24 horas para dar a vaga ou um salário mínimo por dia de atraso”, explicou.

Ahmed acredita que a negativa para a vaga do paciente pode ter decorrido de conflitos na própria esfera administrativa, pois o governo oferece vagas suficientes para atender a demanda. Os demais casos deferidos pelo juiz envolviam a transferência de dependente e a busca de uma mulher grávida que, segundo a família, estaria ferida na rua, mas não foi encontrada. Durante o plantão jurídico, que funciona todos os dias, das 9h às 13 h, não foi solicitada nenhuma internação compulsória. Os sete casos de internação, nos dois primeiros dias após o início da medida, foram voluntários.

Felipe Santos, 19 anos, foi um dos que conseguiu vaga para ser internado. Ele está há um mês em um albergue e, segundo ele, não usa crack há 15 dias. “Comecei com 11 anos. Decidi parar, porque eu perdi tudo. Tive que sair de casa para não prejudicar minha família. Eu roubava tudo dentro de casa. Quero voltar para a minha mãe, conseguir um emprego e ter uma família”, contou. Ele chegou sozinho ao Cratod e aguardava, no início da tarde de hoje, o carro que o levaria para uma comunidade terapêutica em Campinas.

Já Emerson da Rocha, 37 anos, foi ao centro de referência acompanhado da família. Ele foi procurado pelo pai e o irmão nas ruas do bairro Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, onde mora há quatro meses. “Eles disseram que viram que ia começar isso daqui e foram lá falar comigo”, explicou. Emerson passou por tratamento ambulatorial no Caps, mas não teve êxito. “Fui lá, mas pra mim não adiantou. Fui três vezes, saia de lá e ia fumar. Só se tiver em um lugar que não dá pra usar mesmo”, acredita.

Edição: Carolina Pimentel

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil

Publicado em 24/01/2013 por cmsaudecampinas

Carmino Antônio, Paulo Mariante, Eloisa Macedo e José Paulo Porsani, na plenária desta quarta-feira

Carmino Antônio, Paulo Mariante, Eloisa Macedo e José Paulo Porsani, na plenária desta quarta-feira
Marco Aurélio Capitão
Com 15 votos contrários, 6 favoráveis e 6 abstenções, o Conselho Municipal de Saúde de Campinas (CMS) rejeitou na noite desta quarta-feira, 23, a cessão de quarenta servidores públicos municipais para a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) que administra o Complexo Hospitalar Ouro Verde. Os conselheiros também decidiram adiar a votação da cessão de outros 77 funcionários públicos municipais para o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira.

No caso do Cândido, o plenário optou por formar uma comissão para discutir o assunto. Integrará essa comissão membros do CMS, da Secretaria Municipal de Saúde, Sindicato dos Servidores, SinSaude e trabalhadores envolvidos. A primeira reunião está marcada para acontecer terça-feira, 29 de janeiro, às 14h, na sala do Conselho Municipal de Saúde.

Na mesma plenária desta quarta-feira o CMS também aprovou um aditamento de R$ 13.559.638,09 para o Cândido Ferreira. Esse recurso será empregado para o pagamento das rescisões contratuais dos trabalhadores que estão sendo demitidos pela instituição até o dia 13 de março. Essas demissões, como foi determinado pelo Ministério Público Federal, colocam fim ao convênio firmado em 2005 entre a Prefeitura e o Cândido Ferreira para a contratação de trabalhadores para o Programa de Saúde da Família.

O Conselho ainda aprovou liberação de verba para o convênio com o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Esses recursos, no montante de R$ 1.097.958,96, já haviam sido aprovados ad referendum pelo presidente do CMS, José Paulo Porsani, na plenária do dia 12 de dezembro de 2012. Devido ao adiantado da hora não houve tempo hábil para a apresentação, discussão e deliberação dos convênios da Secretaria de Saúde com o Instituto Penido Burnier e com o Centro Corsini. Os dois temas serão incluídos nos primeiros itens da pauta da próxima reunião plenária marcada para 6 de fevereiro próximo.
Secretário ouve conselheiros

Em sua primeira participação na plenária do CMS, como secretário municipal de Saúde, o médico hematologista Carmino Antônio de Souza se colocou como parceiro do Conselho e fez votos de respeitar o caráter consultivo e deliberativo do órgão colegiado. Carmino aproveitou para fazer duras críticas às limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “Dentro de uma Constituição socializante, como a que foi promulgada em 1988, temos uma lei neoliberal que trava a máquina pública e traz sérias restrições ao desenvolvimento das políticas públicas de saúde”, lamentou.
O secretário de Saúde ouviu muitas críticas direcionadas ao encerramento do convênio firmado entre a Prefeitura e o Cândido Ferreira na área do PSF. Em diversas falas de conselheiros Carmino foi alertado que a demissão de trabalhadores experientes, até o dia 13 de março, principalmente nas áreas de combate à dengue e urgência e emergência, trará transtornos aos usuários.

Malgrado todos os argumentos, Carmino colocou que a extinção do convênio é uma decisão da Justiça. “Essa definição se arrastou muito e acabou tendo que ser definida na nossa gestão. A demissão desses trabalhadores trouxe muita contrariedade, tanto para mim como para o prefeito Jonas Donizette, mas já foi determinada pela Justiça e não há nada que podemos fazer”, colocou.

Após se apresentar ao pleno, o secretário de Saúde, durante 40 minutos, ouviu uma série de reclamações sobre a precariedade dos serviços de saúde de Campinas. Dentro desse rosário desfiado pelos conselheiros dos mais diversos segmentos, Carmino ouviu que moradores de rua de Campinas, por falta de documento de identidade, não têm acesso ao SUS, que R$ 22 milhões da área da saúde foram desviados para a Assistência Social, que o PA Centro foi inaugurado sem ar condicionado e sem Raio X, que faltam médicos nas unidades básicas de saúde e nos Pronto-Atendimentos, que pacientes tiveram exames de raio X trocados no PA São José, que a farmácia do Oziel e Monte Cristo vai fechar por falta de farmacêuticos, entre outras coisas.

O presidente do CMS, José Paulo Porsani, por seu turno, usou seu tempo de fala para comunicar ao secretário de Saúde que o Conselho não foi comunicado sobre o fechamento de 58 leitos do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Segundo Porsani desde 20 de dezembro do ano passadoforam fechados seis leitos de neurologia, 18 de ortopedia, 15 de cirurgia geral, cinco de clínica médica e 14 de pediatria. Funcionários do HMMG presentes na plenária informaram que os leitos foram fechados para reforma.

Moções

No encerramento da primeira plenária de 2013, o plenário ainda teve tempo de aprovar três moções, a primeira quer explicações da Secretaria de Saúde sobre o fechamento dos leitos do Mário Gatti. A segunda moção solicita que a Prefeitura e a Câmara Municipal esclareçam por que recursos de R$ 22 milhões que teriam sido remanejados da Secretaria Municipal de Saúde para a Secretaria Municipal de Cidadania e Inclusão social. A terceira moção, por fim, solicita que a presidenta Dilma Rousseff assine a desapropriação do Sítio Boa Vista, em Americana, onde está situado o Assentamento Milton Santos. “A desapropriação é a única possibilidade de se evitar um novo massacre como o que ocorreu no Pinheirinho, em São José dos Campos”, justificou o médico Felipe Monte Cardoso, conselheiro do segmento dos trabalhadores e autor da moção.

Silvia Bellucci

Antes do encerramento da sessão plenária, a enfermeira Cristina Hilário tomou a palavra para lembrar do falecimento da médica imunologista Silvia Bellucci, com 63 anos, em 30 de dezembro de 2012. Conhecida no Brasil e no exterior como referência na pesquisa sobre o vírus da Aids (HIV), Silvia Bellucci é fundadora do Centro Corsini de Campinas. Como homenagem, os conselheiros aplaudiram em pé a médica.

Inscrições para seminário vão até 3 de setembro

 Inscrições para seminário vão até 3 de setembro

Estão abertas as inscrições para o seminário Saúde Mental e Lei: os desafios da implantação da Lei 10.216/01 no Brasil, que será realizado no dia 4 de setembro no auditório da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O seminário promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai colocar em discussão os desafios de juízes, promotores, defensores públicos, médicos e gestores da administração pública no cumprimento da Política Nacional Antimanicomial, instituída pela Lei 10.216.

As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 3 no site do CNJ (http://www.cnj.jus.br/eventos/pages/public/inscricao/listarEventosAbertos.jsf). São 199 vagas destinadas a operadores de direito e profissionais da área de saúde mental. Luciano Losekann, juiz auxiliar da Presidência do CNJ e coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, falará às 9h30 sobre A Política Antimanicomial e o Código Penal no Brasil no primeiro painel, que será seguido de debate com especialistas.

Durante o dia serão debatidos ainda os seguintes temas: Medidas de Segurança e Hospitais de Custódia e Tratamento: Um Diagnóstico da Realidade Nacional, Construção e Articulação da Rede Social, e Desinternação: Experiências da Construção da Porta de Saída.

Gilson Euzébio
Agência CNJ de Notícias

Publicado em 26/01/2012 por cmsaudecampinas
Plenário do Salão Vermelho ficou pequeno para a discussão e aprovação do convênio com o Cândido Ferreira

Marco Aurélio Capitão

Com 36 votos a favor e dois contrários, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) aprovou na noite desta quarta-feira, 25 de janeiro, a prorrogação por seis meses do convênio do Programa de Saúde da Família (PSF) firmado entre a Prefeitura de Campinas e o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. Os conselheiros também aprovaram, por quatro meses, o convênio com o Cândido Ferreira para a Saúde Mental.
Cerca de trezentas pessoas, a maioria trabalhadores do Cândido Ferreira, acompanharam a plenária no Salão Vermelho da Prefeitura. A sessão teve início às 18h e se estendeu até às 21h30.
Quanto ao PSF, a prorrogação de seis meses foi indicada pelo Ministério Público Estadual (MP-SP). No caso do Convênio com a Saúde Mental, o prazo de quatro meses é o estabelecido nos termos da Lei Federal 8.666/1993, com vigência máxima limitada em 2 de junho de 2012, quando completa cinco anos e precisa ser renovado.
José Paulo Porsani, presidente do CMS, antes da votação, destacou a participação do Conselho para a regularização do convênio com o Cândido Ferreira. “Se todas essas providências estão sendo tomadas no caminho da legalidade é porque este Conselho fez sua parte. Continuaremos atentos para que seja cumprido o que foi pactuado com o Ministério Público e, sobretudo, para os trabalhadores do Cândido não sejam penalizados”, disse Porsani.
O secretário Municipal de Saúde, Fernando Brandão, por sua vez, destacou o papel do Conselho no Controle social do SUS e a importância da parceria histórica com o Serviço de Saúde Cândido Ferreira. Garantiu, ainda que Secretaria de Saúde estará em todos os momentos empenhada com o cumprimento de todos os termos acordados.
O Conselho Municipal de Saúde, ao final da plenária, aprovou um documento elaborado pelo Movimento dos Trabalhadores do Cândido Ferreira, em que a Secretaria de Saúde se compromete, entre outras, a:
a) Que seja realizado imediatamente concurso público com pelo menos 1.308 vagas, contemplando o número total de trabalhadores de todas as categorias atualmente terceirizadas por meio do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira;
b) Que possam ser convocados candidatos além desse número, de forma a repor todo o déficit de trabalhadores acumulado nos últimos anos no SUS Campinas;
c) Que o concurso público contemple perfil de candidato voltado para a atuação no Sistema Único de Saúde, ao contrário do que ocorreu em diversos concursos recentes da Prefeitura Municipal de Campinas, e que o conteúdo programático valorize a experiência prática na rede pública;
d) Que a Comissão de Recursos Humanos do Conselho Municipal de Saúde, em conjunto com a Comissão de Trabalhadores Cândido Ferreira, acompanhe as fases do concurso junto ao Setor de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Municipal de Recursos Humanos, com poder real de decisão quanto ao cumprimento efetivo desta Resolução;
e) Que seja feito um plano de demissão dos trabalhadores Cândido Ferreira, para que nenhum trabalhador seja demitido antes da posse de um trabalhador concursado que o substitua, para que não ocorra desassistência nem fechamento de postos de trabalho;
f) Que sejam melhoradas as condições de trabalho para todos os trabalhadores do SUS Campinas e que seja imediatamente resolvido o sério problema de desabastecimento de toda a rede;
g) Que a Prefeitura Municipal de Campinas garanta o pagamento de todos os direitos trabalhistas aos trabalhadores contratados por meio do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, inclusive FGTS e verbas rescisórias, em tempo hábil que não prejudique a aquisição do auxílio-desemprego, quando cabível;
h) Que não haja, de nenhuma forma, assédio moral ou pressão para que os trabalhadores peçam demissão ou sejam demitidos em circunstâncias distintas do previsto nesta Resolução;
i) Que a atual mobilização dos trabalhadores contratados pelo Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira não resulte em nenhum corte de ponto ou desconto de dias não trabalhados.
j) Que a Prefeitura Municipal de Campinas reconheça e pague a dívida com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, de acordo com o que for concluído pela Auditoria em curso;
k) Que a Secretaria Municipal de Saúde encaminhe para deliberação do Conselho Municipal de Saúde, em no máximo 30 dias a contar desta reunião, uma proposta de reposição dos profissionais da urgência/emergência, até que tomem posse os servidores concursados para tanto.

Levantamento da CNM, a droga penetrou em 98% dos municípios do país.
Comércio do entorpecente se espalha cada vez mais por todo o interior.

Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Quando o assunto é consumo de drogas, o problema envolve muita gente e vários órgãos. Cada um tem uma resposta diferente, mas quando o assunto ganha proporções bem maiores e atinge cidades inteiras, é preciso cobrar essas respostas das autoridades. Dos 144 municípios da área de cobertura do G1 Rio Preto, no interior de São Paulo, 30 deles ou 20,8% registram alto consumo de crack. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que a droga penetra em 98% das cidades.

São mais de um milhão de dependentes no Brasil. A maior dificuldade é a falta de políticas públicas de tratamento e de prevenção para as vítimas da droga. Enquanto o número de usuários avança a passos largos, as medidas para acabar com o vício caminham lentamente.

Problemas causados pela crack são devastadores. Em poucos segundos provoca euforia, excitação e na primeira experiência já pode causar dependência para o resto da vida.

O comércio e o consumo do entorpecente se espalham cada vez mais por cidades pequenas do interior. O estudo criou um mapa da geografia do crack, que mostra o nível de consumo da droga.

Droga apreendida seria suficiente para fazer 300 pedras de crack. (Foto: Reprodução / Tv Globo)Droga apreendida durante operação
da polícia. (Foto: Reprodução / Tv Globo)

Na região noroeste, 30 cidades estão na lista das que mais consomem a droga. São elas: Itapura, Ilha Solteira, Santa Fé do Sul, Três Fronteiras, Andradina, Estrela D,Oeste, Riolândia, Pontes Gestal, Mirandópolis, Valparaíso, Guaraci, Gastão Vidigal, Buritama, Brejo Alegre, Glicério, Zacarias, Planalto, Monte Aprazível, Bálsamo, Mirassol, Jaci, Nova Granada. Tabapuã, Severínia, Catanduva, Itajobi, Santa Adélia, Ariranha, Clementina e Novo Horizonte.

Um dos exemplos é de Nova Granada. O município de 20 mil habitantes convive com o problema social no centro e em vários bairros da periferia. A prefeitura investe em projetos de prevenção, mas admite que é difícil controlar o avanço do vício.

Na cidade, os dependentes recebem ajuda em centros de assistência, como o Centro de Assistência Psicossocial e Centro de Referência de Assistência Social. Lá eles passam por tratamento com psiquiatras, mas não ficam internados. Como na maioria das cidades o motivo é a falta de clínicas de recuperação.

Jaci tem pouco mais de 5 mil habitantes e também enfrenta situação parecida. Na cidade existem duas casas de recuperação mantidas por freis com capacidade para atender quase 100 usuários, entre jovens e adultos. A prefeitura também instalou câmeras de segurança para inibir o consumo em praças e escolas.

via luisnassifonline

Nilva de Souza

Da TV Net

Alzheimer revertida pela primeira vez

Pela primeira vez, foi revertida a doença de Alzheimer em pacientes com a doença, há mais de um ano. Os cientistas usaram a técnica de estimulação cerebral profunda, que usa elétrodos para aplicar pulsos de eletricidade diretamente no cérebro.

p>Investigadores canadianos, da Universidade de Toronto, liderados por Andres Lozano, aplicaram estimulação cerebral profunda em seis pacientes.

Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer.

Nos outros quatro, foi parado o processo de deterioração.

Nos portadores de Alzheimer, a região do cérebro conhecida como hipocampo é uma das primeiras a encolher.

O centro de memória funciona no hipocampo, convertendo as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo.

Desta feita, a degradação do hipocampo revela alguns dos primeiros sintomas da doença, como a perda de memória e a desorientação.

Durante a investigação, a equipa de cientistas canadianos instalou os dispositivos no cérebro de seis pessoas que tinham sido diagnosticadas com Alzheimer, há, pelo menos, um ano.

Assim, colocaram elétrodos perto do fórnix, conjunto de neurónios que carregam sinais para o hipocampo, aplicando, depois, pequenos impulsos elétricos, 130 vezes por segundo.

Após 12 meses de estimulação, um dos pacientes teve um aumento do hipótalamo de 5 por cento e, outro, 8 por cento.

Esta descoberta pode levar a novos caminhos para tratamentos de Alzheimer, uma vez que é a primeira vez que foi revertida a doença.

Os cientistas têm, contudo, ainda de conhecer mais sobre o modo como a estimulação funciona no cérebro.

%d blogueiros gostam disto: