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EPIDEMIAS

Crack: sujeitos invisíveis e abandonados pela cidadania

Crack: sujeitos invisíveis e abandonados pela cidadania

Paulo Amarante *

DROGA DE SOCIEDADE: SOBRE O RELATÓRIO DA PESQUISA SOBRE O USO DE CRACK NO BRASIL

A pesquisa, realizada em 26 capitais e no Distrito Federal, além de algumas regiões metropolitanas e alguns municípios de médio e pequeno porte, para alguns aspectos epidemiológicos, revela algumas surpresas e algumas constatações.

O objetivo de um dos métodos adotados, o Network Scale-up Method, visou identificar o uso da substância em populações consideradas de difícil acesso. O próprio relatório utiliza o termo populações “invisíveis” e, neste sentido, aponta para uma questão intrigante: descobrimos que são pessoas pobres ou muito pobres, os desfiliados que nos falou Robert Castel(apenas 4,2% tem alguma forma de trabalho regular com carteira assinada, com faixa de renda muito baixa); são pessoas que se autodeclaram como sendo “não-brancas” (o questionário utiliza esta categoria escolhida por 80% das pessoas para definirem sua cor/raça, indicando um nítido recorte étnico nas cenas de uso), são habitantes das capitais do nordeste (quase 50 % dos usuários são nordestinos, convivem com grande pobreza, com prostituição infantil e adulta, como forma de subsistência e não apenas como forma de obter recursos para a compra da droga); 80 % são homens, 80% são solteiros, 80% têm em média 30 anos, 80% têm apenas o ensino fundamental…

Uma das surpresas é que o consumo na região sudeste não é o maior do país, embora a mídia, principalmente a televisiva, fique exibindo cotidianamente as cenas de uso denominadas de “cracolândias”, como reality shows (e não estou fazendo uso de analogia ou metáfora), incutindo no imaginário social a ideia de que o crack dominou a sociedade e que não há mais nada a fazer senão declarar (mais uma vez) a guerra total: guerra às drogas! É na esteira desta visão equivocada e simplista que nasceu o PL 7.663/10 do Deputado Osmar Terra que ao invés de contribuir para solucionar vai contribuir para agravar a questão das drogas no país.

Adorno e Horkheimer utilizaram a expressão “manipulação retroativa” para referirem-se ao mecanismo no qual as pessoas escolhem o que desejam quando na verdade recebem o que pensam que querem. Com as campanhas moralistas antidrogas isto ocorre regularmente com a mídia e o poder público que constroem os problemas a seu modo e as soluções de igual forma.A expectativa era a de que o uso predominante e assustador de crack fosse constatado pela pesquisa. Mas não: o usuário de crack é também consumidor de outras drogas, principalmente o tabaco (cerca de 90%) e o álcool (cerca de 80%), mas também a maconha, a cocaína, os solventes, a cola de sapateiro, benzodiazepínicos, anfetaminas… Enfim, são poli usuários. O que isto significa: que é um equívoco centrar as políticas em uma só droga, pois o problema não está na droga e sim nas pessoas e em suas condições objetivas e subjetivas de existência.

Enfim, os dados indicam que o uso predominante do crack e demais drogas é entre segmentos sociais menos favorecidos, pessoas com baixa ou nenhuma capacidade de inserção social.  Neste sentido é curiosa a expressão “invisíveis”: são dezenas, centenas, milhares de pessoas que circulam pelas regiões mais pobres das cidades, desassistidas pelas políticas públicas, esquecidas pelo Estado, vítimas do esquecimento e que, embora possam fazer malabarismos com bolas de tênis ou limões nos sinais de trânsito, não são vistas pelos motoristas dos furgões com insulfilmes ou pelos passantes apressados. São invisíveis! Portanto, chama a atenção que 80% usem o crack abertamente, em locais públicos, colocando em xeque nossa capacidade de ver, ou nossa coerência em ver: quantos outros crimes, infrações, contravenções, não são igualmente visíveis? Os pontos de jogo do bicho em cada esquina e bar, as abordagens da polícia em busca de propinas, e tantas outras cenas de uso da violência cotidiana, por que são invisíveis? O que lhes dá visibilidade? Poderiam ser as cracolândias um apelo desesperado de visibilidade social destes sujeitos abandonados pela cidadania?

Uma outra questão tem enorme relevância, pois faz cair por terra um conjunto de mitos que os políticos, religiosos, profissionais da psiquiatria tradicionalconservadores e ligados ao mercado assistencial insistiam em afirmar. O principal mito é o de que ao primeiro contato com o crack a pessoa se torna dependente da droga e perde a capacidade de discernir, de julgar e de optar ou não pelo tratamento. Daí adviria a necessidade absoluta, afirmam eles, de realizar o sequestro da internação compulsória.

Ao contrário: 80% das pessoas declinaram interesse em se tratar! E como resposta, o que o poder público ofereceu em troca? Apenas 6,3% dos usuários tiveram acesso aos Centros de Atenção Psicossocial especializados no tratamento de dependentes químicos, chamados de CAPS ad, serviços fundamentados na estratégia da Redução de Danos e que têm apresentado muitos bons resultados. Recentemente fizemos uma ‘chamada de artigos’ para a Revista Saúde em Debate e pudemos constatar tal premissa pela grande quantidade e qualidade dos artigos e resultados apresentados.

De uma forma geral o que os dados nos levam a refletir sobre a extrema pobreza, violência e desigualdade existentes na estrutura social e que as características do uso do crack nos fazem perceber, por mais que os relatórios econômicos indiquem prosperidade para as classes populares. Ao invés de investir em repressão, como querem o PL 7.663/10 (que no senado recebeu o número 37/2013) e muitas outras propostas do governo, ou de investir em métodos autoritários e ineficazes, que atendem mais aos interesses dos empresários do setor (internação compulsória, comunidades terapêuticas e clínicas de reabilitação de dependentes químicos), é hora de pensar em estabelecer uma rede efetiva de assistência tais como CAPS, CAPS ad, Consultórios na Rua, Saúde da Família, CRAS e CREAS (Centros de Referência de Assistência Social e Centros Especializados), em estratégias de redução de danos e um investimento socioeconômico real de melhoria da qualidade de vida, reforçando os abandonados Pontos de Cultura, os Centros de Convivência, as escolas, as áreas e projetos de lazer e esporte, os meios de transporte público (a gota d´água das manifestações de junho), os espaços e projetos públicos de valorização das comunidades e das pessoas.

Poderia encerrar dizendo que se não caminharmos no sentido desta opção mais estrutural estaremos apenas enxugando gelo. Mas seria ingênuo fazer tal afirmação: a questão não é decorrente da escolha de estratégias equivocadas e sim aos interesses que estão por trás delas.

Enquanto isso precisamos continuar lutando contra o PL 7.663/10 (37/13 no Senado), contra as internações compulsórias e a mercantilização da questão da dependência química pelas ditas “comunidades terapêuticas” e clínicas de tratamento em regime de isolamento involuntário.

* – Editor Científico da Revista Saúde em Debate e Membro da Diretoria Nacional do Cebes

 

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Fonte: Agência Brasil

O material está disponível para visualização e download pelo site http://auladengue.ioc.fiocruz.br/. Foto: Agência O Dia

O material está disponível para visualização e download pelo site http://auladengue.ioc.fiocruz.br/. Foto: Agência O Dia

Um material audiovisual completo sobre o mosquito transmissor da dengue, atualizado e com linguagem simples, acessível a todo tipo de público e disponível na internet. Essa é a proposta do projeto Aedes aegypti – Introdução aos Aspectos Científicos do Vetor, lançado nesta quarta-feira (24) pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

São ao todo 10 vídeos com infoirmações sobre o mosquito, um total de uma hora e 20 minutos, divididos em módulos com duração entre dois e 15 minutos cada. Idealizadora do projeto, a pesquisadora Denise Valle explicou que o material é instrutivo e pode ser usado nas escolas.

“Ele foi pensado principalmente para ajudar na sensibilização e na informação dentro das escolas, como suporte para o professor mesmo. Então a gente tem uma série de módulos diferentes, como a biologia do vetor, mitos e verdades, a história, para que servem as armadilhas, novas estratégias de combate ao vetor que estão em desenvolvimento no país também estão contempladas ali”.

Denise disse ainda que o trabalho começou a ser feito em outubro e tem a participação de pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Minas Gerais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de Sergipe.

“É uma oportunidade que a gente tem de divulgar a boa informação, com conteúdo, em relação ao mosquito da dengue. Uma coisa que preocupa bastante a gente, é que as pessoas às vezes demoram a enxergar a sua própria responsabilidade nesse controle. E que quando percebemos que 80% dos criadouros estão dentro das casas das pessoas, a gente entende que é muito importante que cada um reconheça a sua responsabilidade e faça a sua parte, não delegando simplesmente ao Poder Público”.

O material está disponível para visualização e download pelo site http://auladengue.ioc.fiocruz.br/.

Escolas da rede estadual pararam para assistir a peças de teatro e a videoaula sobre formas de prevenção e combate à doença O número de mortes por dengue em Minas Gerais pode chegar a 48, naquela que já vem sendo considerada a pior epidemia enfrentada pelo estado. Além dos 41 casos registrados no balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), três óbitos foram confirmados no começo da noite pelas secretarias municipais de Saúde de Sete Lagoas (dois) e Belo Horizonte. Quatro mortes registradas na semana passada, duas em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, e duas em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, ainda estão à espera da confirmação da SES, embora os atestados de óbito registrem a dengue como causa. Em Belo Horizonte, a confirmação pela Secretaria Municipal de Saúde  da terceira morte em decorrência da forma hemorrágica da doença – um homem de 67 anos, hipertenso, morador da Região Norte, a mais afetada pela doença – coincide com o avanço da infestação do transmissor. O Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegipyt (LIRAa) saltou de 1,9% em janeiro para 3% em março. Ou seja, três em cada 100 dos 35 mil imóveis pesquisados apresentaram criatórios do mosquito. As regiões Leste e Venda Nova apresentaram os maiores índices de infestação, de 4,4%, com destaque para os bairros Belém/Primeira Seção, Esplanada, Pompeia, Vila Nossa Senhora do Rosário e Vila São Rafael. A região que apresentou menor índice de infestação foi a Centro-Sul, com 1,6%. Os criadouros predominantes têm sido recipientes plásticos, latas e garrafas, que acumulam água (32,3%), vasos e jarros de plantas (15,2%) e recipientes domésticos (8,7%).

Na última semana, o número de casos confirmados da doença subiu de 8.790 para 10.180, aumento de 1.390 na capital. De janeiro até a última quarta-feira, são 43.087 casos notificados, sendo 29.254 ainda em avaliação e 3.663 descartados. As regiões que lideram em números de casos confirmados da doença são a Norte (2005 vítimas), Nordeste (1991) e Venda Nova (1.438).
Com o avanço da doença na capital, o total de diagnósticos confirmados no estado chega a 53.732. A epidemia neste ano já é considerada a pior em Minas, se avaliado o histórico de notificações entre janeiro e abril. O balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde sobre doentes que procuraram postos até a segunda semana deste mês revela 198.502 casos suspeitos de contaminação. O número é maior que o contabilizado no mesmo período de 2010 – ano da maior epidemia da história do estado –, quando Minas tinha 196.823 pessoas com sintomas da doença até 30 de abril. O secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, admitiu ontem que a dengue está mais letal em 2013. “Estamos cientes de que há uma elevação da letalidade, mas isso ainda será objeto de pesquisa. O que sabemos é que muitos desses óbitos estão relacionados a doenças associadas, inclusive a gripe, que continua matando”, observa. Ontem, o secretário de Saúde de Belo Horizonte informou que as condições meteorológicas deste ano fizeram diminuir o ciclo de reprodução do mosquito, de 23 para 12 dias. O período de incubação do vírus na fêmea também caiu de 16 para oito dias. Educação Em nível estadual, as ações de combate à dengue ganharam o reforço da Secretaria de Estado de Educação, que realizou ontem mobilização nas escolas. Pela manhã, as aulas foram interrompidas para uma videoaula transmitida pelo canal Minas Saúde sobre medidas de prevenção. Os alunos participaram também  de atividades temáticas, oficinas, palestras e peças teatrais.

 

As duas principais cidades do norte e do noroeste do estado de São Paulo permanecem com altos índices de contágio por dengue. Ribeirão Preto e São José do Rio Preto estão entre as dez cidades brasileiras com maior número de pessoas com a doença, segundo o Ministério da Saúde.

Segundo os últimos dados da prefeitura de Ribeirão Preto, o município confirmou, desde o início do ano, 3.409 casos da doença. O município está em estado de epidemia, mas não registrou nenhuma morte em decorrência da dengue. O município de São José do Rio Preto, que também está em estado de epidemia, teve 5.051 casos confirmados e três mortes.

Outra região com alto índice de contágio é a Baixada Santista: seis de seus nove municípios estão em estado de epidemia de dengue: Peruíbe, Santos, Guarujá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão. Não estão em estado de epidemia os municípios de Bertioga, Mongaguá e Itanhaém.

Em todo o estado de São Paulo, de acordo com a Secretaria da Saúde, foram registrados 42.445 casos de dengue até o último dia 4. A taxa de incidência da doença é 102,9 casos para cada 100 mil habitantes – segundo o Ministério da Saúde, o quadro de epidemia ocorre quando há 300 casos para cada 100 mil habitantes.

Até dia 4 foram confirmadas 12 mortes causadas pela doença no estado, que aconteceram na região da cidade de São Paulo, na Baixada Santista, em Bauru, Presidente Prudente, Sorocaba, São José do Rio Preto, Taubaté e Registro.

Fonte: Rede Brasil Atual

De quinta (28) para sexta (1º), 103 novos casos foram confirmados.
Última vez que cidade enfrentou uma epidemia de dengue foi em 2010.

Do G1 Rio Preto e Araçatuba

O mês de março começa com uma péssima notícia para a saúde de São José do Rio Preto (SP). A prefeitura confirmou que a cidade já vive uma epidemia de dengue. De quinta-feira (28) para sexta-feira (1º), 103 novos casos da doença foram confirmados.

A Vigilância Epidemiológica leva em conta o número de moradores de um local para definir se existe um surto ou epidemia. Em Rio Preto, qualquer número acima de 1260 é considerado epidêmico. Hoje, já são 1284 registros.

Um novo caso de dengue hemorrágica, o tipo mais grave da doença, também foi confirmado. Centenas de pacientes ainda aguardam os resultados de exames. A última vez que Rio Preto enfrentou uma epidemia de dengue foi em 2010, quando mais de vinte e quatro mil casos foram retirados.

A Vigilância Epidemiológica orienta que se a pessoa começar a passar mal, tiver febre, dor de cabeça, vômito e dores no corpo ela deve procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Denúncias de locais que possam servir de potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, podem ser feitas por meio do disque dengue, pelo telefone 0800-7705870. A ligação é gratuita.

Saiba quais são os sintomas da dengue (Foto: Editoria de Arte G1)

Flávia Albuquerque – Agência Brasil


Desde setembro de 2012, a doença se desenvolveu em 14 crianças  (Radilson Carlos Gomes)

São Paulo – Dos 1.054 bebês nascidos entre janeiro e junho de 2012 no hospital particular Madre Theodora, em Campinas, no interior de São Paulo, foi confirmada a infecção latente de tuberculose em 90 deles, informou a Secretaria Municipal de Saúde. Os bebês foram contaminados após contato direto ou indireto com uma enfermeira que estava doente e não sabia. A infecção latente é quando o bacilo está presente, mas a doença não se desenvolve. A infecção se espalhou porque uma enfermeira que trabalha no hospital particular estava doente e não sabia.

De acordo com a secretaria, desde setembro de 2012, a doença se desenvolveu em 14 crianças. Ainda faltam 13 bebês para serem examinados.

Segundo o  Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), os bebês, que desenvolveram a doençã, estão sendo tratados, por um período de seis meses, com antibióticos, disponíveis somente no Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital informou que está custeando o  medicamento e exames feitos em clínicas particulares.

A enfermeira, que estava de férias em julho, não retornou ao trabalho e ainda está em licença médica. O foco da doença já foi controlado e os bebês não podem transmiti-lá.

Cesar Reballo 

Como matar mosquitos ecologicamente correto

Para ajudar com a luta contínua contra os mosquitos da dengue e a dengue hemorrágica, uma idéia é trazê-los para uma armadilha que pode matar muitos deles.

O que nós precisamos é, basicamente:

200 ml de água,
50 gramas de açúcar mascavo,
1 grama de levedura (fermento biológico de pão, encontra em qualquer supermercado ) e uma garrafa plástica de 2 litros

Como fazer:

1. Corte uma garrafa de plástico (tipo PET) ao meio. Guardar a parte do gargalo:

2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar. Depois de frio despejar na metade de baixo da garrafa:

3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono:

4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa:

5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa:

Em duas semanas você vai ver a quantidade de pernilongos e mosquitos que morreu dentro da garrafa.

Além da limpeza de suas casas, locais de reprodução de pernilongos e mosquitos, podemos utilizar este método muito útil em:  Escolas, Creches, Hospitais, residências, sítios, chácaras, fazendas, floriculturas e etc.

Não se esqueça da Dengue nos próximos meses: este pernilongo pode matar uma pessoa!

DIVULGUE! é muito importante!!!

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