Noroeste Paulista, Jales – Filho responsabiliza médico do Pronto-Socorro pela morte do pai

Valdir José Cardoso/
Pouco mais de um mês depois de ser condenado pela Justiça de Jales ao pagamento de uma indenização de R$ 240 mil, por negligência médica, o Consirj – um consórcio presidido pelo prefeito Humberto Parini, formado por 16 prefeituras da região, que administra o Pronto-Socorro de Jales – já se vê no centro de outra polêmica, com novas e graves acusações de suposta negligência médica, a qual teria resultado na morte de um paciente.
O caso aconteceu no domingo passado e comoveu muita gente, principalmente os amigos e conhecidos do barbeiro aposentado João Pereira de Lima, de 81 anos, um antigo morador do Jardim Paraíso. O seo João, como era conhecido, tinha problemas cardíacos e, por conta disso, usava um marca-passo, desde 1993. Apesar disso, ele levava uma vida normal, até que, no domingo, passou mal e teve que ser levado ao Pronto-Socorro de Jales.
Segundo seu filho, o comerciante Ezequiel Pereira de Lima, o mal-estar podia ser conseqüência de algum problema no marca-passo, uma vez que a bateria do aparelho tinha sido trocada recentemente.
“Meu pai não tinha problema nenhum. Se ele tivesse com algum problema, os médicos não teriam feito uma cirurgia, em dezembro do ano passado, para troca do marca-passo. Outra coisa: em janeiro eu o levei novamente até Rio Preto e os médicos disseram que estava tudo normal com o marca-passo. Na quinta-feira da semana passada eu estava lá no Jardim Paraíso e ele passou com uma sacolinha para fazer as comprinhas dele”, disse Ezequiel.
O drama da família de seo João começou no domingo, por volta das 12 horas. “Minha mãe me ligou dizendo que o papai estava com um mal-estar. Eu larguei tudo e em cinco minutos já estava na casa deles. Meu pai me disse que não estava sentindo nenhuma dor, nem estava com febre; ele estava apenas tremendo. Como a bateria do marca-passo tinha sido trocada há pouco tempo, o mal-estar podia estar relacionado a ela”, explicou Ezequiel.
O filho do seo João disse que, quando acontece um caso como esse, o recomendável é levar o paciente até a Santa Casa, que possui mais recursos. “Mas, prá chegar até à Santa Casa, o paciente tem que passar primeiro pelo Pronto-Socorro. Mesmo que a pessoa esteja morrendo, ela tem que passar no Pronto-Socorro prá ser encaminhada à Santa Casa. Um procedimento absurdo. Então, eu levei meu pai ao Pronto-Socorro e, quando a enfermeira veio atender eu avisei que ele tinha marca-passo e não podia tomar injeção. A única coisa que eu queria era que o médico de plantão assinasse o encaminhamento para a Santa Casa”.
Segundo Ezequiel, foi nessa hora que apareceu um médico sem identificação nenhuma, ‘vestido com roupa de festa’, sem nem ao menos um jaleco: “não, não, não! Teu pai tá com uma febrinha de nada, vou dar um remédio”, teria dito ele, sem examinar o paciente. Ezequiel repetiu, então, que só queria a assinatura no papel do encaminhamento para levar o pai até a Santa Casa. “A essa altura, meu pai já estava voltando ao normal e até me disse que, depois de passar pela Santa Casa, ele iria almoçar e, mais tarde, iria à igreja”.
De acordo com Ezequiel, àquela altura a enfermeira já havia medido a pressão arterial de seu pai, que estava normal, e avisou que ia aplicar uma dipirona no braço dele. “Você não vai aplicar nada; vocês vão matar meu pai”. Mesmo diante do apelo dele, o médico teria gritado para a enfermeira fazer a injeção. “Aqui quem manda sou eu”, teria dito o médico.
“Eu estava tentando fazer uma ligação prá pedir uma ajuda, quando a enfermeira pegou a artéria dele e aplicou a injeção. Na hora ele levantou e foi ficando roxo. Então, meu pai gritou e eu larguei tudo e corri prá pegar ele. O papai caiu nos meus braços e morreu na hora”, arrematou Ezequiel.
“Tem que morrer alguém, prá esse médico ser mandado embora”
Em seu depoimento ao jornal A Tribuna, Ezequiel tenta deixar claro que o médico, que reside em Santa Fé do Sul, já tinha sido alvo de outras reclamações, inclusive de colegas de Pronto-Socorro. “A enfermeira pediu pro médico assinar o papel, mas ele insistiu prá que ela fizesse a injeção. Então, ela me disse que tinha que morrer alguém prá que o médico fosse mandado embora”, disse o comerciante.
“A enfermeira estava com uma santa pregada na roupa e disse que, toda vez que aquele médico estava de plantão, ela levava a santa, porque sempre acontecia alguma coisa ruim. Quando viu que meu pai estava morto, ela passou mal e acho que desmaiou. Aí o médico – que não tinha posto a mão no papai – veio correndo e ficou fazendo uma massagem nele. Eu disse prá ele: agora que meu pai morreu, o senhor vem atender?”.
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