Precarização no atendimento pode ser a principal causa da violência contra profissionais de saúde

Edna Madalozzo

“Hoje a maior preocupação do médico não é com salário, mas sim com as condições de trabalho”. A frase de Casemiro dos Reis Junior, presidente do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed) abriu o debate sobre Violência Contra Profissionais de Saúde, realizado na terça-feira (27), no Plenarinho da Câmara Municipal de Campinas. Para Casemiro as entidades médicas estão em alerta com o aumento da violência nas unidades de saúde e o foco não é proteger apenas a classe médica, mas também os demais funcionários e os usuários dos serviços.
Das 67 Unidades de Saúde no município, 27 delas sofreram violência no ano passado. “Esse dado, levantado pelo Governo Municipal, mostra que a saúde está doente”, aponta Clóvis Acúrcio Machado, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC). “Cada ator – gestores, usuários e funcionários – deve fazer a reflexão sobre sua responsabilidade em mudar esse quadro, a sociedade tem que ser mais participativa. Hoje, o problema só é lembrado quando um caso aparece na mídia, mas a violência esta aí todos os dias”, lembra.
Segundo Sinval Dorigon, secretário de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, foram registrados no último ano 3.190 ocorrências de violência contra profissionais da saúde no município de Campinas, 70% está concentrada em apenas cinco Unidades. “A média é de nove casos por dia”, alerta Casemiro, “isso requer ação imediata do poder público com a Guarda Municipal presente em tempo integral nos locais com maior índice de agressões”.
Para a delegada superintendente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Marisa Broglio, muitas vezes a falta de resolutividade é a causa da insatisfação do médico e de sua não fixação na unidade de saúde. “Essa ausência de resultados satisfatórios também atinge o usuário e, não raramente, acaba causando revolta e uso da violência física e verbal”, conclui a médica.
Falta de notificação

A ausência de ocorrência não contribui com o trabalho da Polícia Militar. O Major Henrique Neto, representando a Polícia Militar, destacou que a notificação do médico ou outro funcionário, com registro de Boletim de Ocorrência, é fundamental para o desenvolvimento e aprimoramento dos serviços prestados à comunidade. “Não temos como colocar um policial em cada esquina, então trabalhamos com a inteligência, com dados que apontam onde e como atuar”, alerta o Major.
Tanto para o secretário de Saúde, Luis Fernando Brandão do Nascimento, quando para a Secretaria de segurança, é necessário uma gestão mais participativa. Nascimento dá como exemplo o Jardim Monte Belo, bairro carente da periferia de Campinas, onde a comunidade reverteu o índice de violência na Unidade de Saúde com ações vindas a partir das demandas e sugestões da própria comunidade. O secretário afirmou que já estão sendo providenciadas câmeras de monitoramento, alarme em todas as unidades de saúde e alarme de pânico para o pronto atendimento da GM em caso de ocorrência de atos violentos, mas não soube dizer quando exatamente os equipamentos serão instalados.
“Esse é o primeiro evento de outros que pretendemos promover para reverter o quadro de violência contra profissionais da saúde em Campinas”, afirmou Casemiro.
Principais sugestões apontadas pelos participantes do debate:
– Notificar o gestor e a polícia militar os casos de violência;
– Melhorar o relacionamento das equipes de saúde com a comunidade;
– Identificar o acompanhante, responsáveis por mais da metade das agressões ;
– Abrir mais canais de participação popular para discutir e apontar soluções;
– Buscar soluções conjuntas com o Conselho Municipal de Saúde, Conselhos Locais de Saúde e entidades da sociedade civil organizada;
– Ações imediatas de segurança em unidades onde há maior índice de violência: instação de câmeras, alarmes e policiamento integral;
– Humanização no atendimento ao usuário e maior treinamento das equipes;
– Dar condições de atendimento, hoje faltam remédios, as equipes muitas vezes estão incompletas e os prédios danificados.
– Fortalecer as Unidades de Atenção Primária:
– Fortalecer a rede de atendimento à saúde mental;
– Cuidar da saúde do profissional que sofreu violência;
– Criar programas sócio-educativos para a população saber onde e quando procurar a saúde pública.

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