Homem também pode passar pelo pré-natal. Quer saber como funciona?

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Portal Brasil

Engana-se quem pensa que o homem não deseja acompanhar as consultas de pré-natal da esposa. Uma pesquisa com parceiros de gestantes atendidas pelos SUS em Ribeirão Preto (SP), cidade no interior de São Paulo, mostrou que 94% deles gostariam de ir junto a uma consulta. Os pesquisados também responderam que se sentiram frustrados por terem o seu direito negado quando manifestaram o desejo de entrar na sala de consulta.

Aproveitando este interesse masculino, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP) implantou um projeto pioneiro: o pré-natal masculino. Assim que a gestante chega ao hospital, a equipe que a recebe pergunta se o parceiro também quer participar da consulta. O obstetra que atende o casal convida o homem a fazer alguns exames, inclusive alguns que já fazem parte do pacote que a grávida tem de realizar ainda no primeiro trimestre de gravidez. São eles: sorologia para hepatite B e C, HIV e sífilis, além de exames de sangue para detectar presença ou não de diabetes, verificar níveis de colesterol e medição da pressão arterial.

Por este acolhimento, a resposta foi positiva: mais de 80% dos futuros pais aderiram ao pré-natal, toparam fazer todos os exames e acompanhar as esposas em todas as consultas. Também aceitaram participar de oficinas sobre cuidados básicos do bebê, importância da amamentação exclusiva realizadas aos sábados.

“É um mito essa história de que o homem não quer participar do pré-natal da mulher ou de que não quer ir ao médico. A nossa experiência mostra que o homem não sabe qual é a porta de entrada do sistema de saúde”, diz Geraldo Duarte, vice-diretor da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP) e responsável pela implementação do projeto no hospital.

O projeto foi implantado em 2007 em Ribeirão Preto. Hoje está presente em diversas cidades do País e faz parte das ações da Política Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde. O pré-natal do parceiro pretende alcançar homens entre 20 e 59 anos, num universo de quase 52 milhões de pessoas no Brasil. “As ações têm como objetivo prevenir doenças e incluir o homem na paternidade”, diz Eduardo Chakora, coordenador de Atenção da Saúde do Homem do Ministério da Saúde.

Além dos exames de sorologia, as equipes de saúde que recebem os parceiros podem aproveitar para sugerir a realização de exames preventivos da próstata e cirurgias como vasectomia e fimose. “É importante que esse homem seja bem acolhido pelas equipes de saúde, que tenham uma escuta qualificada”, diz Chakora. Ele acredita que dessa forma, os homens passam a considerar o serviço de saúde como um lugar onde ele pode ir para se prevenir de doenças e não o local para receber tratamento.

Segundo Chakora, o pré-natal do parceiro, como o check-up masculino é chamando no Ministério da Saúde, já está presente nas políticas de saúde dos 26 Estados e do Distrito Federal, além de 80 municípios com mais de 100 mil habitantes.

Fontes:

Ministério da Saúde

Revista Brasileira de Saúde

 

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