Pacientes esperam até dez horas por transporte no Hospital de Base de Rio Preto

Doentes precisam aguardar veículos de prefeitura para voltar para casa

 Nany Fadil

Agência BOM DIA

Há cinco anos que a doméstica Maria Aparecida Alves, 54 anos, e a filha Deise Mara dos Passos, 30, uma vez por semana têm a mesma rotina: esperar quase 10 horas, sem ter o que fazer, em frente ao Hospital de Base de Rio Preto.

Essa é a realidade de boa parte dos 8,7 mil pacientes atendidos por mês na unidade. Eles vêm de toda a região em busca de atendimento médico especializado em hospitais de Rio Preto.

Na quarta-feira, Maria Aparecida e Deise acordaram às 3h, foram até o Centro de Saúde de Santa Rita D´Oeste e pegaram van da prefeitura para ir ao Hospital de Base, às 7h.

Por volta das 9h, Deise foi atendida no Hospital de Base. Ela aguarda por cirurgia de redução de estômago. A van que levou ela até o Hospital de Base seguiu viagem e foi deixar outros pacientes da cidade no Hospital do Câncer de Barretos.

A previsão do motorista da van era de pegar mãe e filha entre 19h e 20h. “Não fazemos nada nesse tempo todo. Comemos alguma coisa e depois sentamos ou deitamos no chão, como indigentes.”

Essa espera por veículos das prefeituras é ainda mais desumana para  Graslene Aparecida da Silva Gomes, 23 anos.

Duas vezes por semana ela pega a filha Rackelly, de 5 meses, sobe na van que transporta pacientes de Barbosa para Rio Preto e Barretos e, depois da consulta, espera sentada  em frente ao Hospital de Base.
Logo que nasceu, Rackelly ficou internada na UTI neonatal do Hospital de Base. Ela teve bronquiolite (Inflamação dos bronquíolos geralmente causada por infecção viral).

“A gente saiu de casa às 4h30. A consulta terminou às 8h30. O motorista sempre pede para eu ficar sentada no ponto esperando, mas não tem uma hora certa para ele me pegar porque levou os outros doentes para Barretos.”

Como normalmente só chega em casa à noite, Graslene providencia todas as necessidades da filha, como alimentação e troca de fraldas e roupa.

“É muito cansativo, principalmente para a minha bebê”, afirma.
A dona de casa Joana Jaci Zanardo, 54 anos,  faz crochê para passar o tempo.

Há cinco anos viaja de Nova Aliança para Rio Preto. Em 2010, fez a cirurgia de redução de estômago e volta ao hospital a cada 15 dias para acompanhamento. “Fico o dia inteiro aqui.”

AMBULÂNCIA DE JALES “ESQUECE” PACIENTE NO AME DE RIO PRETO

A aposentada Maria Alves, de 55 anos, que realizou cirurgia de catarata (necessária quando há obstrução do cristalino do olho, que impede a pessoa de enxergar) quinta pela manhã no AME foi “esquecida” pelo motorista de uma van da Prefeitura de Jales (cidade a 150 km de Rio Preto).
“Saí de casa às 3h para não perder a van. Avisei com antecedência a Secretaria de Saúde, mas, mesmo assim, voltaram para a cidade sem mim”, disse ela. O filho de Maria, Wesley Alves, acompanhou a mãe até o AME e, segundo ele, a Secretaria de Saúde de Jales informou que poderiam buscá-los apenas à noite.
“Disseram que o ônibus que sai de Barretos passará aqui às 21h. Chegaremos lá depois da meia-noite”, afirmou. O BOM DIA entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Jales, que não quis se pronunciar sobre o caso

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