VERGONHA. Centenas de Indios morrem sem atendimento de saúde… veja como os matam.

Dos índios para o cacique (via Revista Época)

A PF descobre que o dinheiro público destinado ao atendimento médico indígena foi desviado para campanhas da família do senador Gilvam Borges
ANDREI MEIRELES
Herton Escobar/AE e Daniel Ferreira/CB/D.A Press

PADRINHO
Vista do Parque Nacional de Tumucumaque, no Amapá, e o senador Gilvam Borges (no destaque). Irmãos e assessores de Gilvam são suspeitos de sumir com verbas destinadas aos índios no Amapá

Há três anos, surgiram notícias de que a numerosa população indígena do Amapá e do norte do Pará sofria com a falta de atendimento médico. Pela lei, cabe ao governo federal, por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), zelar pela boa saúde dos índios brasileiros. Como a Funasa recebe verbas abundantes para cumprir essa tarefa, as notícias causaram perplexidade. Para esclarecer o caso, foi formada uma equipe de investigadores, composta de agentes da Polícia Federal (PF), procuradores do Ministério Público Federal e funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles percorreram aldeias no Amapá e no norte do Pará, inspecionando a situação dos 14 mil índios da região. Não encontraram apenas “falta de atendimento médico”. Encontraram uma tragédia.

No cemitério da aldeia Manilha, no município de Pedra Branca do Amapari, sete recém-nascidos uaiapis haviam sido enterrados antes da chegada dos investigadores. Os bebês morreram sem receber qualquer assistência médica. Ali, como em outras aldeias visitadas, havia apenas um absoluto abandono: prateleiras vazias nas farmácias, remédios com validade vencida, ausência de agentes de saúde, doentes entregues ao destino. Em matas onde picadas de cobra são frequentes, faltava soro antiofídico. Por falta do remédio, uma índia teve de amputar o braço. “Nunca vi algo parecido. Senti um vazio enorme ao ver tanta tragédia”, diz o indigenista Edmar Mata, funcionário da Funai que trabalha há 23 anos no Amapá e acompanhou as investigações.

   Reprodução

Os índios daquela região são frágeis diante de doenças simples no resto do Brasil. Gripes tornam-se sentenças de morte, casos isolados de sarampo provocam epidemias devastadoras. É por tais razões que a saúde da população indígena requer variados cuidados, a cargo do Estado – tudo o que não se encontrou nas aldeias do Amapá e do norte do Pará. Ao fim da vistoria, a força-tarefa constatou que ao menos 20 índios haviam morrido por negligência no atendimento médico. Impôs-se, então, uma pergunta: se o governo federal remete milhões de reais para que os índios sejam atendidos, como tantos morreram nas mais degradantes condições imagináveis? Onde foi parar o dinheiro?

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2 comentários
  1. ariana souza disse:

    Gilvam Borges sempre lutou tanto por verbas em favor do Amapá. Essa matéria é aviltante. Quem conhece Gilvam jamais aceitaria essa infame notícia.

  2. Boa noite Ariana:
    Inicialmente queremos dizer que gradecemos pela sua participação. Seja bem vinda ao debate.
    Em segundo lugar, informamos que realmente não conhecemos Gilvam Borges. Conhecemos apenas as denuncias, encaminhadas aos orgãos competentes, que tambem geraram a possibilidade, garantida em nossa Constituição Federal, do amplo exercício de defesa e que serão objeto de julgamento por quem de direito.
    Lastimamos muito que exista a possibilidade de enriquecimento de alguem, ao custo da vida de outrem. Se ao final, a culpa for caracterizada, ele merecerá as penas da Lei, dos homens e do Universo.
    Podemos apenas afirmar que com base no que sabemos, hoje, não seria nenhum prazer conviver com esta triste figura. Membro de um dos clãs, que se controla parte do aparelho de Estado, que não tem nehuma razão natural para ter tantos miseráveis, quanto tem hoje.
    Abraço fraterno,

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