Uchôa – Noroeste Paulista. Justiça condena 2 médicos por negligência.

Graziela Delalibera http://www.diarioweb.com.br


Carlos Chimba
Advogado Marcos César Perez quer aumentar valor da indenização

A Prefeitura de Uchôa e os médicos Antônio Humberto Garcia e Kleber Marin de Moraes foram condenados a pagar solidariamente R$ 70 mil de indenização por danos morais ao adolescente L.R.B., 17 anos. O garoto foi submetido a uma cirurgia para retirada do testículo direito, tendo a possibilidade de ficar estéril, dias depois de ser atendido pelos médicos, em ocasiões distintas, no hospital do município.

A decisão, do juiz substituto Fabiano Rodrigues Crepaldi, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Rio Preto, considerou que os médicos foram negligentes ao não solicitarem o exame básico para detectar a causa da dor sentida pelo adolescente na região escrotal, motivo que o levou a buscar atendimento médico. Um perito judicial explicou no processo que as dores do adolescente poderiam ter várias causas, e que a descoberta é feita por meio do exame de ultrassonografia com doppler.

A decisão do juiz determina que os médicos e a Prefeitura de Uchôa arquem com as despesas processuais e os honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o valor da condenação. Na sentença, o juiz também confirmou liminar que obrigou os réus a arcarem com os custos de uma prótese de silicone escrotal, cujo valor foi depositado judicialmente pelo município. Os advogados de L., Marcos César Perez e João Paulo Gabriel informaram que deverão recorrer para aumentar o valor. Nem o adolescente nem seus pais quiseram dar entrevista.

Segundo laudo da perícia que consta no processo, L. compareceu ao Hospital Municipal de Uchôa no dia 5 de julho de 2006 com um quadro de dores na região inguinal e vômito, quando foi atendido por Garcia, que lhe prescreveu os medicamentos Plasil, Cimetidina e Diclofenaco. O médico descreveu o diagnóstico como a esclarecer e não solicitou nenhum exame complementar. Moraes atendeu o adolescente no mesmo hospital, no dia 7. Constou na ficha de atendimento que L. sofria de dores abdominais há mais ou menos três dias. O médico prescreveu os medicamentos Voltaren, Buscopam, Dipirona e ainda glicose. O diagnóstico foi de epididimite e também não foi solicitado nenhum exame complementar.

No dia 12, o adolescente foi atendido por um terceiro médico, que o encaminhou para o Hospital de Base de Rio Preto, onde a equipe médica descobriu que L. sofria de torção do testículo direito, e realizou cirurgia para a retirada do órgão. A perícia apontou que se os médicos, no primeiro momento, diagnosticassem que as dores fossem por torção testicular, poderia ter sido evitada a cirurgia para a retirada do órgão. Se diagnosticada a tempo, o procedimento poderia ter sido para fixar o testículo na bolsa escrotal sem sua retirada.

O advogado dos médicos, Luis Antônio Velani, alega que a conduta dos profissionais foi adequada. Ele disse que irá recorrer da decisão e fala que a mãe do adolescente foi orientada, por telefone, por Garcia a retornar ao hospital para que o garoto fosse encaminhado a Rio Preto, o que foi realizado apenas dois dias depois, quando o quadro já era outro. “Houve cerceamento de defesa, a orientação à mãe foi dada na presença de vários funcionários e nenhum foi ouvido no processo.” O advogado do município, João Paulo Mello dos Santos, disse que terá uma reunião com o prefeito, José Cláudio Martins, para analisar a possibilidade de recurso

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