Noroeste Paulista: jovem resgatada diz não ter dinheiro para pagar hospital

Uma notícia carregada de “simbolismos”.

Acabamos de participar da 14ª Conferencia Nacional de Saúde, em dezembro. Participamos na representação dos usuários do SUS. Nossa eleição foi feita à partir da representação regional do Noroeste Paulista, justamente a região onde se vem dando os fato relatados.

É inivitável que ao nos depararamos com a noticia, originalmente publicada no Portal Terra, que imediatamente várias questões  venham a borbulhar em nosso pensar. Aqui vamos abordar apenas algumas que não querem calar… mas primeiro vamos à matéria.

Foto: Dario Stecker dos Santos/Agência Estado

Chico Siqueira

Direto de Araçatuba

Não é com seu estado de saúde que a comerciária Caroline Laila Soares, 19 anos, está mais preocupada. A jovem – que foi resgatada de um córrego no último domingo depois de esperar por socorro por 72 horas – disse nesta quarta-feira que sua maior preocupação é com as despesas causadas pelo acidente que sofreu na madrugada da sexta-feira da semana passada. O carro dela despencou numa ribanceira e caiu num córrego, às margens da rodovia Elieser Montenegro Magalhães (SP-463), no município de Populina, interior de São Paulo.

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Internada num quarto da Santa Casa de Fernandópolis, Caroline disse que sua família não tem recursos para pagar os custos hospitalares. “Estou preocupada com os prejuízos. Não sei como vamos fazer para reformar meu carro, pagar a UTI (onde ficou internada por três dias), medicamentos e outros custos”, disse ela. “Vou ter de batalhar muito para dar conta de quitar tudo.” Humilde, a família de Caroline, que mora em Iturama (MG), só conseguiu convênio público nesta quarta-feira, quando a paciente foi transferida da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto do Sistema Único de Saúde (SUS). “Internação na UTI foi particular e vamos ter de pagar”, contou.

Batalha não foi o que faltou para Caroline sobreviver os três dias e as três noites que passou no córrego, com hipotermia e fraturas na perna esquerda e na bacia. “Saí do carro pela porta de trás, que se abriu. Faltava uma hora mais ou menos para amanhecer”, contou. Os dias de sol, contou, foram difíceis. “O sol, muito quente, quase me torrou”, disse ela. Mas o pior, segundo Caroline, aconteceu quando ela percebeu que estava com fraturas na perna esquerda. “Fiquei com medo de perder a perna. Quando vi meus ossos se mexendo fiquei com medo de que, se não fosse socorrida logo, poderia ter a perna amputada, ficar inválida, e ser obrigada a viver numa cadeira de rodas, dando trabalho para os outros”, contou.

Caroline confirmou que o acidente ocorreu quando viajava para visitar um amigo, morador de Jales (SP). Ela sonhou que o rapaz morria e ficou preocupada. Seu sonho agora será se recuperar dos prejuízos, estudar e passar no vestibular para Agronomia. “Vamos recuperar e estudar para passar no vestibular, ainda no final deste ano”, contou.

O primeiro símbolo que grita aos nossos olhos é a manchete… se, a saúde é Direito de todos e dever do Estado, logo, o SUS banca todas as despesas em uma situação como esta… por que ela estaria agora preocupada com o dinheiro para pagar o hospital ?

Ainda na manchete, uma outra palavra chama à atenção…. a jovem foi RESGATADA. Desconhecemos qualquer serviço de RESGATE privado atuando na região. Dois serviços estão presentes, o SAMU 192 e o RESGATE 193… ambos públicos, financiados pelos Governos Federal e Estadual. Logo, somos levados à concluir que a jovem chegou ao hospital (Santa Casa de Fernandópolis) levada por um destes dois serviços públicos de Urgência e Emergência…quem a internou como “particular” ?

A saúde privada é admitica como complementar à saúde pública, uma escolha que o paciente em condições de perfeito livre harbítrio pode, ou não, fazer. Aparentemente, salvo melhor juízo, a questão parece ser de exploração absolutamente imoral da vítima do acidente, cujas despesas hospitalares o SUS banca integralmente.

Outro símbolo que salta aos olhos é o local do acidente. Rodovia Eliezer Montenegro de Carvalho, SP 463, no município de Populina, distante menos de 40 minutos (50 km) de Jales, e à mais ou menos uma hora de Fernandópolis… qual o motivo da jovem ter sido levada para Fernandópolis? É importante lembrar que os serviços de saúde em Fernandópolis não são melhores que os de Jales. Tenho amigos que trabalham no SAMU, vou perguntar como é isto.

Fico lembrando dos debates sobre os esquemas recetemente denunciados no Rio de Janeiro, envolvendo os hospitais e os serviços de ambulancias… teria esta prática chegado ao Noroeste Paulista? Quero crer que não… mas não posso impedir os pensamentos, que voam.

Da notícia tambem salta aos olhos a informação de que a usuária do SUS só conseguiu “vaga no convenio público (SUS) na quarta feira”… piada de mal gosto. Quer dizer, ou tem algo “não muito santo” na Santa Casa de Fernandóplis, nos serviços de resgate ou na Saúde Pública regional.

Os governos municipais são conclamados a “ajudar” as Santas Casas. Verbas públicas Federais e Estaduais são colocadas dioturnamente nestas instituiçõe privadas “sem fins lucrativos”. O SUS negocia e oferece a possibilidade de compras serviços, acerta preços,  condições e paga por eles.

O SAMU não é só ambulancia. Existe uma rede de regulação de vagas pactuada com os serviços hospitares, de pronto atendimento, de pronto socorro, hospitais, e UTI’s (quase sempre totalmente construidos e equipados com dinheiro público) são destinados para “outros convênios” ? Seriam aqueles em que o valor pago é totalmente dedutível do Imposto de Renda, que no final faz falta para termos mais vagas no SUS ? Tem algo de podre no ar…

Mas o turbilhão de simbolos não para aí… Caroline está se preparando para “prestar vestibular”… Será que Caroline não sabe que é Dever do Estado oferecer educação de qualidade? Será que ela não sabe que o acesso ao ensino superior de qualidade, público e/ou privado, está garantido pelo ENEM, pelo Pró Uni ?… que vestibular é coisa do passado?

Pode ser, talvez Caroline seja daquelas “alienadas burguesas sem dinheiro”… mas não podemos dizer isto, faltam informações. Mas, em sendo, será que ela não sabe que tem direito ao Seguro Obrigatório (DPVAT), ou será que já se apropriaram indevidamente,  tambem,  deste valor nos atendimento dados a ela?

Em meio ao “turbilhão de símbolos” me salta aos olhos a foto de Caroline. Divulgaram que foi tirada por alguem que pedia carona na estrada quando um caminhão parou e aí viram Caroline. É quando vejo o crédito de autoria da foto… Dario S dos Santos, Agência Estado. Muito boa a foto… já rodou o mundo… foi tirada por alguem pedindo carona… será?

Estou começando a ficar revoltado. Não quero acreditar que tem todo um sistema montado para explorar Caroline. Lembro dos Festivais da MPB…”só Carolina não viu…”

Talvez eu esteja ficando mais que revoltado, esteja ficando louco mesmo, não posso esquecer que “eu acredito é na rapaziada”. Na verdade a gente precisa uns dos outros, e eu estou precisando que voce me ajude a colocar os pensamentos em ordem… Assim fica aqui meu apelo/pergunta… o que vc pensa disto tudo? Estou mesmo ficando louco?

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1 comentário
  1. Em busca das dúvidas, levantamos que a distribuição geográfica das bases de atuação dos Serviços de Urgencia e Emergência na região não seguem a lógica da menor distância entre o local do acidente e o serviços de saúde… tanto o SAMU quanto os bombeiros seguem a lógica das divisões administrativas, assim o conforto administrativo dos gestores públicos está colocado, em nossa opinião, acima de outros valores, como a vida humana.

    Para tentar suavizar este erro gritante, gestores afirmam que em Ouroeste (Reg. Adm de Fernandópolis) existe uma base avançada de atendimento e socorro às vítimas. Isto, em nossa opinião não justifica, pois apenas quer dizer que se a unidade (ambulancia) sair de Ouroeste chegará ao local do acidente mais rápido (o que é ótimo). O erro está em remover o paciente para um local mais distante por razões administrativas, esquecendo que cada minuto passado póde custar a vida do paciente. Ela deveria ser atendida em Jales (muito mais perto) e não ser levada para Fernandópolis.

    Outra questão são as fotos… não posso afirmar que tem gente fazendo bico de fotógrafo durante o expediente, ganhando do SUS, mas devo parafrasear Guimarães Rosa… que desconfio, desconfio.

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